• Matheus Queiroz

ADMs: os (anti-)herois ocultos do Big Brother Brasil

O último episódio da temporada do Big Brother Brasil foi ao ar na última segunda-feira. A final consagrou a médica Thelma como a grande campeã e os números da audiência consolidaram o saldo da edição: um sucesso total. O último capítulo do programa teve sua maior audiência desde a edição de 2010.


Mesmo que a vitória tenha sido justíssima e isso seja unanimidade entre a equipe desta agência que vos escreve, esse não é o mérito do artigo. Precisamos falar do papel que os administradores dos perfis dos participantes tiveram nessa disputa.


“Teve muita cagada”, esbravejou Felipe Neto no Twitter sobre o desempenho dos ADMs do BBB. “Muitos de vocês mandaram muito, mas muito mal”, completou o youtuber. O fato é que esses “participantes ocultos” tiveram muita influência no jogo e contribuíram para uma deturpação entre pessoa e persona. E se o Felipe Neto falou, é verdade.


Persona

Imagem: Reprodução/TV Globo

Não, não é frieza. Mas quando se trata de pessoas públicas, que dependem da imagem para se promover, precisamos pensá-las como marcas. E toda marca tem uma persona que responde por ela. De forma bem resumida, trata-se de um perfil que se traça para que a comunicação seja capaz alcançar de forma efetiva o seu público-alvo. É como se desenvolvêssemos uma pessoa, com características, particularidades e ocupações bem definidas, para falar pela empresa.


Não eram todos os participantes que tinham condições de contratar uma agência especializada para gerir conteúdos nas redes sociais, claro, mas todas elas permaneceram ativas durante a permanência dos brothers na casa. Portanto, alguém falava por essas pessoas aqui fora.


Mesmo que seja óbvio que os integrantes do BBB não tinham acesso a celular e não eram responsáveis por nenhum post, em um mundo onde somos o que publicamos, ficou difícil fazer essa diferenciação e alguns participantes pagaram caro pelo posicionamento dos seus administradores.


O último e mais popular caso que explicita isso foi do ator Babu Santana. Indicado como um dos favoritos ao prêmio de R$ 1,5 milhão, ele viu (aliás, não viu) sua popularidade despencar após os administradores do seu perfil no Twitter chamarem Thelma de um termo bem desrespeitoso. O resultado final foi a eliminação do participante no último paredão da temporada, após ter sido salvo da berlinda nove vezes.


Pela primeira vez em vinte edições, o Big Brother Brasil trouxe pessoas já famosas e, mesmo que isso explicitasse que elas já saberiam como controlar situações de crise, o desenrolar do jogo mostrou para nós e para eles mesmos que não. Estivemos diante de situações onde o online não tinha nenhum controle sobre o offline e vice-versa, mas as ações em ambos os casos eram co-dependentes.


Em tese, Babu não foi culpado pelo termo problemático direcionado a Thelma, mas se nossa reputação é baseada no que postamos, como crer que, de fato, ele não compactuaria com esse tipo de declaração? As ações dos participantes na casa pautam o desempenho das redes sociais; os participantes “cancelados”, por exemplo, viram os números dos perfis despencarem. Mas a vice-versa é o mais impressionante.


O planejamento digital de Manu Gavassi se mostrou acertado em muitos pontos, isso é evidente. Curtos, divertidos e sempre bem roteirizados, os vídeos renderam milhões e milhões entre views e likes e repercutiu muito até mesmo entre aqueles que só queriam criticar. Mas nesse contexto, a estratégia mais acertada foi o fato de ela não ter deixado ninguém falar por ela.


Todo o conteúdo de Manu parece ter sido pautado para criar uma conexão real entre ela e o público, sem demonstrar que ali existia uma equipe responsável pelas publicações. A “garota errada” parece ter tido um dos posicionamentos digitais mais grandiosos da edição, mas ao final, o que se mostra é que ela teve um dos posicionamentos mais discretos.


No Twitter, por exemplo, rede social onde a terceira colocada conquistou uma grande fanbase, todos os posts do perfil da cantora eram acompanhados de legendas curtíssimas, que não davam margem para interpretações ruins e nem traziam opiniões calorosas sobre o jogo. E o principal elemento da postagem era o vídeo, onde Manu falava “dando a cara a bater”. Nem mesmo quando a “fada sensata” esteve em apuros, os administradores se exaltaram e fugiram da estratégia dos curtas.


Nos dias de hoje, há quem assista ao BBB sem assistir. Muitas pessoas formulam suas opiniões sobre o reality referenciadas apenas no que acompanham nas redes sociais. A vigésima edição do Big Brother Brasil nos deixou diversos cases praticamente inéditos no país, mas nos deixou a principal lição de que é muito difícil desassociar as figuras online e offline.


E como fazer isso quando as figuras principais estão confinadas sem contato com quem gerencia o digital? Talvez, Manu tenha dado a dica inicial: não deixe ninguém falar por você, mesmo quando essa seja a única forma de comunicação. E cabe aos futuros participantes do BBB 21 e suas respectivas equipes estudarem muito. Material, pelo menos, a edição 20 deixou de sobra.


+ Leia também: Boca Rosa: quando o online não pode prever o offline

LINKS
CONTATO
  • Facebook ícone social
  • Instagram
  • LinkedIn ícone social

comunicacao@agenciatudonosso.com

Tel: +55 (21) 2025-6611

Avenida das Américas, 700 - Bl 7

Rio de Janeiro - RJ 22640-100

© 2020 por Agência #TudoNosso